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Eu escuto, mas não entendo: como isso é possível?
Entre filmes dublados, conversas com máscara e restaurantes barulhentos, conto como percebo na prática a diferença entre ouvir um som e realmente compreender o que está sendo dito.
Fernanda Fructuozo de Freitas
10/2/20264 min read


Já vou começar logo contando um segredo...Odeio assistir a um filme dublado!
Te conto o por quê. Se você não tem perda auditiva, pode até estranhar a falta de sincronia na dublagem… Mas se você já tem algum grau de perda como eu, no meu caso, essa sensação é muito maior!! Eu, particularmente, sinto até dor de cabeça me esforçando para ouvir…
Quando o filme é dublado, normalmente o movimento dos lábios dos atores não é equivalente ao som que a gente ouve e é aí que começa a confusão… Como normalmente a gente se apoia no reforço visual dos lábios e dos movimentos da face em si, essa diferença ilustra muito bem a questão acima! Eu estou escutando o que eles falam, mas não estou tendo uma boa compreensão. Isso é muito louco! Você ouve, sabe que está tendo um diálogo, mas precisa aumentar muito o volume para conseguir entender o que está sendo dito. Aumentar o volume pode ajudar, mas nem sempre resolve a clareza da fala. O apoio visual dos lábios e da face realmente pode melhorar a compreensão, especialmente quando temos algum grau de perda auditiva.
Quando ouvir não significa entender
Mas afinal, por que eu consigo ouvir e mesmo assim não entender?
Simplesmente porque ouvir e entender não são a mesma coisa. Eu posso perceber que existe uma voz, reconhecer que alguém está falando comigo e, ainda assim, não conseguir entender todas as palavras daquela frase.
Para a gente compreender uma conversa, não basta o som chegar mais alto. Ele precisa chegar com informações suficientes para que o nosso sistema auditivo consiga processá-lo e o cérebro possa reconhecer aquilo como palavras, frases e, finalmente, dar sentido ao que está sendo dito. Quando parte dessas informações não chega com clareza, pode acontecer aquela sensação tão comum: “Eu ouvi você falando, só não entendi o que você disse.” O cérebro participa justamente dessa etapa de interpretar os sinais sonoros que chegam até ele.
É por isso que simplesmente aumentar o volume nem sempre resolve. Às vezes a voz fica mais alta, mas não necessariamente mais clara. E aí entram também as pistas visuais: ver o movimento da boca, a expressão do rosto e acompanhar quem está falando pode ajudar a completar aquilo que a audição, sozinha, não conseguiu entregar tão bem.


O quanto a gente também “ouve” com os olhos
Escrevendo essas palavras, me lembro do que passamos durante a pandemia do Covid. Com todo mundo usando máscara, percebi ainda mais o quanto me apoiava no movimento dos lábios e nas expressões do rosto para entender uma conversa. Melhor nem lembrar dessa época!!
E tem aquelas situações em que a gente até ouve, mas entende outra coisa. No bingo, por exemplo, alguém grita “60” e você entende “70”! O som chegou, você sabe que um número foi chamado, mas a informação não veio com clareza suficiente. É exatamente essa diferença entre escutar e compreender.


O quanto a gente também “ouve” com os olhos
E se entender uma conversa já pode exigir mais esforço em algumas situações, imagine agora várias pessoas falando ao mesmo tempo, música de fundo, barulho de pratos, talheres, cadeiras arrastando e aquele restaurante lotado de sábado à noite…
É por isso que ambientes ruidosos costumam ser tão desafiadores para quem tem perda auditiva. Quanto mais sons competindo ao mesmo tempo, mais difícil pode ficar acompanhar uma conversa, principalmente quando estamos em grupo ou longe da pessoa que está falando.
O que os aparelhos auditivos podem fazer nesses ambientes
Hoje, a tecnologia dos aparelhos auditivos ajuda bastante nessas situações, porque pode favorecer a fala e reduzir parte da interferência dos sons ao redor. Não quer dizer que o restaurante fica em silêncio, infelizmente ainda não inventaram esse botão! Mas para mim, faz toda a diferença! No meu caso, quando entro em um restaurante, muitas vezes abro o aplicativo dos meus aparelhos para fazer um ajuste que me ajude naquele ambiente.
No fim das contas, penso que essa seja a melhor forma de explicar o famoso “eu escuto, mas não entendo” através das minhas experiências. O som está ali. A conversa está acontecendo. Mas compreender tudo o que está sendo dito é outra história e quem vive isso sabe exatamente do que eu estou falando.!




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