Será que estou perdendo a audição sem perceber?

Uma reflexão pessoal sobre os sinais, as desculpas e o momento de olhar com mais atenção para a nossa audição.

9/18/2026

Logo depois conheci meu marido que, por coincidências da vida, é otorrinolaringologista! (Sorte a minha!) E foi bem no início do nosso relacionamento que aconteceu aquele diálogo ali de cima. Sempre que ele me chamava, eu achava que ele tinha uma voz muito forte. Até o dia em que perguntei por que ele falava daquele jeito comigo… e ele respondeu que já tinha me chamado três vezes!

Nessa época, eu já usava muito mais a minha “orelha boa” para falar ao telefone, tinha dificuldade para saber de onde vinham os sons ou a voz de alguém que quisesse falar comigo e, de vez em quando, o zumbido também aparecia.

E aos poucos percebi outra coisa curiosa: não importava muito a distância da pessoa, eu já me apoiava bastante na leitura labial e nas expressões do rosto para entender melhor o que estava sendo dito. Talvez eu nem percebesse o quanto fazia isso até chegar a pandemia da Covid e todo mundo precisar usar máscara. Ahhh… que horror

- “Fernanda… Fernanda!!
FERNANDAA!!!”

E eu respondi:

- “Por que você sempre grita comigo?”

Esse diálogo parece mais um início de uma D.R. (discussão da relação) de um casal, do que um artigo sobre perda auditiva. Mas foi dessa maneira que eu percebi que teria que levar esse assunto mais a sério.

Você já reparou se isso acontece com você? Talvez seu marido ou sua esposa diga que você está falando alto demais, reclame do volume da TV ou perceba que você pede para repetir algumas coisas. Ou talvez seja você quem ache que os restaurantes ficaram barulhentos demais e que todo mundo resolveu falar baixo de uns tempos pra cá…

São várias situações do dia a dia que a gente vai normalizando sem perceber. E tenho certeza de que cada pessoa acaba criando as suas próprias maneiras de contornar essas dificuldades.

Então, quando parece que o problema está sempre no mundo ao redor; todo mundo fala baixo, a televisão não ajuda, os lugares estão cada vez mais barulhentos, talvez seja uma boa hora para olhar também para a própria audição. Porque a gente vai levando a vida normalmente e nem sempre percebe quando alguma coisa começa a mudar aos poucos…

Comigo foi assim… Comecei a perceber algumas dificuldades auditivas quando tinha dezoito anos. Sim, eu tinha só dezoito anos! Na época, fazia faculdade de Arquitetura e tocava piano.

Talvez com você não tenha sido o telefone. Talvez seja a televisão. Ou aquele restaurante onde todo mundo parece falar junto. Ou sua família reclame que você não responde no almoço de domingo… ou você já não compreenda tão bem os números que sua amiga narra no bingo! (risos!)

A gente vai se acostumando com essas pequenas situações e, muitas vezes, só percebe que alguma coisa mudou quando elas começam a ficar evidentes demais.

E não sou só eu dizendo isso. A Organização Mundial da Saúde inclui entre os sinais que merecem atenção, situações como dificuldade para compreender conversas em lugares barulhentos, problemas ao telefone, necessidade frequente de pedir para repetir, aumentar demais o volume da televisão e presença de zumbido.

É claro que ter uma dessas dificuldades isoladamente não significa que você tenha perda auditiva. Mas, quando essas situações começam a se repetir e a interferir na rotina, vale a pena investigar.

E pode ser que essa seja uma das coisas mais curiosas da perda auditiva: muitas vezes, as primeiras pessoas a perceberem que alguma coisa mudou, não somos nós!

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